Foto de CPLA/Reprodução
Cooperativismo
Entrevista-perfil: Aldemar Monteiro, presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA)
Uma vida construída entre o leite, a gestão e o cooperativismo Aldemar Monteiro aprendeu cedo que uma empresa não se constrói apenas dentro de um escritório. Algumas das primeiras lições sobre trabalho, produção e negócios vieram ainda na adolescência, acompanhando de perto a rotina do pai, produtor rural, veterinário e empresário. Nascido em Recife, Aldemar passou a infância e a adolescência em Batalha, no interior de Alagoas. Foi ali que começou a conhecer, por dentro, o universo dos laticínios. Seu pai havia acabado de fundar o Laticínio Batalha e, aos 15 anos, Aldemar já estava envolvido com uma das tarefas mais importantes de qualquer negócio: colocar o produto na rua e encontrar quem quisesse comprá-lo. Enquanto estudava em Maceió, começou a comercializar queijo na capital. A experiência, ainda muito jovem, lhe deu uma percepção que os anos seguintes apenas aprofundariam: entender o mercado, conhecer o consumidor e saber transformar produção em oportunidade. A formação acadêmica veio depois. Aldemar graduou-se em Administração de Empresas e buscou ampliar sua preparação em gestão empresarial, com especialização pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Vieram também cursos pelo Empretec e outras formações, sempre ligados à gestão. Mais tarde, direcionou parte desse conhecimento para uma área que passaria a ocupar um espaço central em sua trajetória: a gestão de cooperativas. Em 2012, assumiu a presidência da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA). Não chegou ao cargo apenas com a experiência acumulada na administração ou com o conhecimento do setor de laticínios. Levou consigo uma vontade que permanece até hoje: contribuir para fortalecer uma atividade que conhece desde muito cedo e, principalmente, criar caminhos para quem está na base da produção. Foi com esse propósito que passou a ampliar a participação dos pequenos produtores. Mais de 500 microprodutores foram convidados a fazer parte da CPLA. A dimensão desse movimento ajuda a entender o que Aldemar enxerga no cooperativismo: não apenas uma forma de organização, mas uma ferramenta capaz de dar escala, estrutura e melhores condições de negociação a quem, individualmente, teria muito mais dificuldade para avançar. Ao longo dessa caminhada, vieram conquistas que ultrapassaram os limites da própria cooperativa. Uma das mais simbólicas foi a abertura da primeira secadora de leite do Nordeste voltada à agricultura familiar. Um passo que representa tecnologia e estrutura, mas que, para Aldemar, tem um significado maior: criar condições para que o produtor familiar permaneça na atividade, agregue valor à sua produção e tenha mais possibilidades de geração de renda. Mais recentemente, a CPLA deu outro passo importante ao estabelecer uma parceria com a Alvoar Lácteos, uma das maiores empresas do Brasil no setor. A aproximação reforça uma visão que Aldemar vem defendendo ao longo de sua trajetória: o pequeno produtor não precisa estar à margem das grandes cadeias produtivas. Ele pode fazer parte delas — desde que encontre organização, apoio e condições para produzir com qualidade e competitividade. É aí que o presidente da CPLA coloca sua principal preocupação para o futuro. Mais do que ampliar números ou estruturas, ele quer aumentar a renda do cooperado. Quer fortalecer o cooperativismo e ajudar a construir uma cadeia produtiva em que o agricultor familiar tenha espaço, voz e perspectivas. Talvez essa visão explique por que sua relação com o setor não se resume a uma função administrativa. Aldemar cresceu vendo o leite chegar à indústria, acompanhou a formação de um negócio familiar e começou a vender queijo quando ainda era adolescente. Décadas depois, continua trabalhando em torno do mesmo produto, mas agora com uma responsabilidade muito maior: ajudar centenas de famílias produtoras a encontrar um caminho coletivo para crescer. Entre a experiência herdada do pai e o conhecimento adquirido na formação profissional, Aldemar construiu uma maneira própria de enxergar a gestão. Para ele, administrar uma cooperativa significa compreender que, por trás de cada litro de leite entregue, existe uma família, uma propriedade rural, uma história e uma expectativa de futuro. É essa perspectiva que sustenta o trabalho à frente da CPLA. E também o desejo de ir além do que já foi conquistado. A próxima etapa, em sua visão, é fazer com que cada vez mais agricultores familiares possam participar de uma cadeia produtiva estruturada, capaz de gerar renda, permanência no campo e novas oportunidades. Aldemar começou vendendo queijo aos 15 anos, em Maceió. Hoje, à frente da CPLA, continua trabalhando para que o produto de milhares de pequenos produtores encontre mercado — e, sobretudo, para que o trabalho de quem produz seja cada vez mais valorizado.
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