Foto de Unicafes Nacional/Reprodução
Cooperativismo
Entre estradas e cooperativas, caminhoneiros trocam experiências em Brasília
Quem vive do transporte sabe que boa parte das decisões acontece longe dos escritórios. Está na estrada, na conversa com o associado, na negociação de um frete, na busca por melhores condições de trabalho e na tentativa de manter a cooperativa organizada.
Foi com essa realidade na bagagem que presidentes e representantes de cooperativas de caminhoneiros autônomos chegaram a Brasília, entre os dias 21 e 23 de setembro, para participar do Seminário Nacional de Cooperativas de Caminhoneiros Autônomos.
Mais de 80 participantes, vindos de diferentes regiões do país, passaram três dias compartilhando experiências e discutindo questões que fazem parte da rotina de quem trabalha no transporte. Entre uma atividade e outra, também houve espaço para conversas que dificilmente cabem em uma programação oficial: os problemas enfrentados por cada cooperativa, as soluções encontradas no caminho e aquilo que ainda precisa mudar.
Realizado pela UNICAFES Nacional, com patrocínio do BNDES, o encontro colocou na mesma mesa lideranças que vivem realidades diferentes, mas que conhecem de perto os desafios de organizar trabalhadores autônomos dentro de uma estrutura cooperativa.
O que muda quando as experiências se encontram
Para quem está à frente de uma cooperativa, nem sempre existe uma resposta pronta para os problemas que aparecem no caminho. Muitas vezes, é preciso conversar com quem já passou por uma situação parecida e entender o que funcionou — ou o que não funcionou.
Foi justamente esse tipo de troca que marcou o encontro em Brasília.
Levi Sousa de Oliveira, presidente da Coopergerais, de Minas Gerais, levou para as discussões a experiência da cooperativa e chamou atenção para a intercooperação, aproximando a ideia de trabalhar em conjunto das necessidades concretas enfrentadas pelas cooperativas e pelos caminhoneiros.
Ao final do seminário, Levi resumiu o que leva de Brasília para Minas Gerais e destacou a importância da união entre as cooperativas.
“Hoje encerramos este seminário com mais um grande aprendizado. Estamos voltando para casa com a nossa bagagem ainda mais cheia, cheia de conhecimento e com a certeza de que estamos no caminho certo. União, informação e aprendizado. Com certeza, com união e intercooperação, seremos muito mais fortes.”
A proposta de aproximar as cooperativas também está relacionada a objetivos mais amplos discutidos durante o seminário. O assessor institucional do sistema UNICAFES e coordenação do Programa Roda Bem Caminhoneiro, Alcidir Mazutti Zanco, explicou que a intenção é organizar uma rede nacional capaz de compartilhar estratégias, conhecimentos e experiências entre as diferentes iniciativas existentes.
“O objetivo central deste seminário é promover a estruturação da rede nacional, compartilhando estratégias e conhecimentos entre as iniciativas participantes.”
Segundo Alcidir, uma das frentes discutidas é a construção de uma linha de crédito voltada a um programa nacional para os caminhoneiros. A proposta também envolve a criação de um desenho institucional que aproxime diferentes formas de organização — desde associações e cooperativas até grupos que ainda estão em processo de estruturação.
A união entre os caminhoneiros, segundo ele, é uma condição importante para que novas políticas públicas possam ser construídas e para que as organizações tenham maior capacidade de negociação.
“A premissa fundamental deste encontro reside no entendimento de que a unidade dos caminhoneiros, em suas distintas categorias, é o pilar indispensável para a conquista de novos programas e políticas públicas.”
Alcidir também destacou um aspecto bastante concreto dessa aproximação: a possibilidade de as cooperativas atuarem juntas para reduzir custos e melhorar as condições de compra de produtos necessários à atividade.
A expectativa é que a integração possa fortalecer, por exemplo, o poder de compra e o consumo compartilhado de diesel e outros insumos utilizados pelos caminhoneiros.
Na prática, a proposta é fazer com que a cooperação entre as organizações ultrapasse a troca de experiências e possa resultar em ações conjuntas.
Assuntos que estão na estrada
A programação tratou de questões que interferem diretamente no funcionamento das cooperativas e na vida profissional dos caminhoneiros autônomos.
Legislação, contratação de fretes, logística, políticas públicas, formação e capacitação estiveram entre os assuntos discutidos durante os três dias.
São temas que, na prática, estão ligados uns aos outros. Uma mudança na legislação pode alterar a rotina da cooperativa. A forma de contratação de um frete interfere na organização do trabalho. A falta de capacitação pode dificultar o acesso a novas oportunidades.
Também entrou na pauta a participação das cooperativas na cadeia do transporte. A busca é por caminhos que permitam ampliar esse espaço e criar novas possibilidades para os profissionais que fazem parte dessas organizações.
Uma conversa que continua fora da programação
Em encontros como esse, nem tudo acontece durante as palestras ou nas mesas de discussão.
Os intervalos também viraram pontos de encontro. Presidentes e representantes aproveitaram o tempo para conversar sobre suas cooperativas, trocar contatos e conhecer melhor o trabalho desenvolvido em outras regiões.
Para quem vive uma realidade específica dentro de uma cooperativa, ouvir como outra organização enfrenta problemas semelhantes pode abrir novas possibilidades.
O contato estabelecido em Brasília pode continuar depois, por telefone, mensagem ou em uma próxima reunião. É nesse tipo de relação que a ideia de trabalhar em rede começa a sair do discurso e entrar na rotina.
De diferentes estados, uma atividade em comum
A lista de participantes mostra a diversidade de experiências reunidas em Brasília.
Estiveram no encontro Fabrício Reis, da Cubatão; Marcelo, da Coopercaps; Walter, da Cootraut; Esmeraldo, da Cooperpires; Levi, da Coopergerais; Solismar, da Sudocoop; Joel, da Cooperstraco; Zanette, da Cootransjopi; e Erigleison, da Coopertransunião, entre outras lideranças.
Cada cooperativa tem seu próprio jeito de trabalhar e uma realidade particular. Há diferenças de mercado, de estrutura e de região. Ainda assim, os desafios relacionados ao transporte aproximam essas organizações.
A discussão sobre intercooperação, nesse sentido, ganha um caráter bastante prático. Não se trata apenas de aproximar pessoas, mas de encontrar formas de colaboração que possam gerar resultados para os cooperados.
O cooperativismo como caminho para o transporte
A organização coletiva aparece, nesse cenário, como uma das alternativas buscadas pelos caminhoneiros autônomos para enfrentar os desafios da atividade.
Ao se reunirem em uma cooperativa, os profissionais passam a dividir não apenas responsabilidades, mas também experiências, informações e possibilidades de atuação.
O seminário em Brasília colocou essa realidade em evidência ao reunir pessoas que estão diariamente envolvidas com a gestão dessas organizações.
A proposta discutida pela UNICAFES é ampliar essa articulação e dar mais unidade às iniciativas existentes. A expectativa é que, trabalhando de forma mais próxima, as cooperativas possam ter melhores condições para negociar, acessar programas e buscar soluções para problemas que atingem a categoria.
Ao longo dos três dias, Brasília foi cenário para uma conversa que começou nas estradas de diferentes estados e chegou à capital federal. Presidentes e representantes voltaram para suas regiões levando novos contatos, outras experiências para conhecer e questões para continuar discutindo dentro de suas próprias cooperativas.
No fim, a estrada continua para cada um deles. Mas a discussão iniciada em Brasília aponta para uma direção comum: aproximar cooperativas, dividir conhecimento e encontrar formas de fazer com que o trabalho coletivo também produza resultados concretos para quem está ao volante.
Ajude a plataforma Coopere Mais
Clique no botão "doar" e faça sua doação com PayPal
ou via Pix 20.603.847/0001-78
Cooperativismo




Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página.
Veja todas as notícias >
Clique aqui e receba notícias pelo WhatsApp