Foto de Coopercintra/Reprodução

Cooperativismo

Coopercintra valoriza a produção da floresta e se torna patrocinadora Ouro do Prêmio Coopere Mais

Cooperativa do Acre reúne 120 cooperados e trabalha com óleos vegetais, cacau silvestre e borracha natural, gerando oportunidades para famílias que vivem às margens do rio Juruá

A história da Cooperativa Agroextrativista Nova Cintra (Coopercintra) começou muito antes de sua formalização, em 2011. Em 1991, 27 produtores da comunidade Nova Cintra, em Rodrigues Alves, no Acre, perceberam que, organizados, poderiam comercializar melhor sua produção e criar novas oportunidades de trabalho e renda. A união daquele grupo deu origem a uma trajetória que hoje envolve 120 cooperados e famílias extrativistas de comunidades do Acre e do Amazonas. 

Agora, a Coopercintra dá mais um passo nessa caminhada ao se tornar patrocinadora Ouro do Prêmio Coopere Mais de Inovação na Comunicação Cooperativista. A parceria aproxima a experiência da cooperativa de uma iniciativa dedicada a reconhecer boas práticas de comunicação e a dar visibilidade às histórias de quem constrói o cooperativismo brasileiro. 

A atuação da Coopercintra está ligada ao aproveitamento sustentável dos recursos da floresta. Entre suas principais atividades estão a coleta e o beneficiamento do murmuru, palmeira utilizada na produção de óleos vegetais, o desenvolvimento da cadeia do cacau silvestre e o trabalho com a borracha natural extraída da seringueira. 

A estruturação dessas atividades exigiu organização, capacitação e investimento. Em 2007, a comunidade recebeu uma usina de extração e processamento de óleos vegetais, com apoio da Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac). A iniciativa contribuiu para o desenvolvimento da cadeia produtiva do murmuru e para a formação da cooperativa, oficializada quatro anos depois. 

Atualmente, a Coopercintra mantém uma usina equipada para o processamento de óleos vegetais, com capacidade de produção de até 25 toneladas de manteiga de murmuru por ano. Na cadeia do cacau silvestre, o trabalho envolve famílias ribeirinhas que realizam etapas como quebra dos frutos, fermentação, secagem e armazenamento das amêndoas. 

Essa produção representa uma oportunidade de renda para quem vive em comunidades onde o acesso aos mercados e aos serviços pode ser difícil. Na cadeia do murmuru, a cooperativa articula o fornecimento de matéria-prima de aproximadamente 320 fornecedores, distribuídos por comunidades do Acre e do Amazonas. 

Para o presidente Osmarino Lagos, apoiar o Prêmio Coopere Mais é uma oportunidade de ampliar o alcance das histórias construídas pelos cooperados. 

“Queremos que mais pessoas conheçam o trabalho das famílias que vivem da floresta e o esforço que existe por trás de cada produto. A comunicação ajuda a mostrar que o extrativismo pode gerar renda, fortalecer as comunidades e contribuir para a conservação da Amazônia.” 

A parceria com o prêmio também abre espaço para compartilhar experiências sobre organização comunitária, produção sustentável e valorização dos conhecimentos tradicionais. Ao contar essas histórias, a cooperativa contribui para aproximar consumidores, parceiros e outras organizações da realidade dos povos e das comunidades que vivem da floresta. 

Outro ponto importante é a participação das novas gerações. A Coopercintra incentiva a formação de jovens para que assumam responsabilidades na gestão e nas atividades produtivas, contribuindo para a continuidade dos negócios e para a renovação da cooperativa. Também desenvolve ações voltadas ao empoderamento de mulheres e à capacitação das comunidades. 

Na avaliação de Osmarino Lagos, dar visibilidade a essas experiências ajuda a fortalecer o reconhecimento do trabalho coletivo. 

“Cada família tem uma história e um conhecimento que precisam ser valorizados. Quando compartilhamos nossas experiências, mostramos aos jovens que há oportunidades nas comunidades onde vivem e incentivamos outras pessoas a acreditar na força da cooperação.” 

Com a chegada da Coopercintra ao grupo de patrocinadores Ouro, o Prêmio Coopere Mais amplia a presença de iniciativas ligadas ao extrativismo e à bioeconomia amazônica. A parceria destaca uma experiência construída ao longo de décadas, na qual organização coletiva, geração de renda e cuidado com a floresta fazem parte do mesmo caminho. 

Prêmio Coopere Mais: comunicando para um futuro melhor.


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