Foto de Benedito Machado/Verso2 Comunicação

Crédito

Fortaleza reúne iniciativas de todo o país em encontro nacional de bancos comunitários

Fortaleza se tornou, nesta semana, ponto de encontro de iniciativas que vêm redesenhando o acesso ao crédito no Brasil. Entre os dias 4 e 7 de maio, a capital cearense recebe o VI Encontro Nacional da Rede Brasileira de Bancos Comunitários, reunindo representantes de diferentes regiões do país para discutir caminhos possíveis para uma economia mais inclusiva e enraizada nos territórios.

Realizado no Hotel Sonata, o evento articula experiências de finanças solidárias com pesquisadores, gestores públicos e lideranças comunitárias. A proposta vai além da troca de experiências: busca consolidar estratégias conjuntas que fortaleçam o sistema de bancos comunitários e ampliem seu alcance em um cenário ainda marcado pela dificuldade de acesso a serviços bancários tradicionais.

Um dos momentos mais aguardados da programação foi o lançamento da plataforma “Palma da Mão”, desenvolvida pela equipe do E-dinheiro Brasil. O sistema utiliza biometria como forma de pagamento, uma aposta na tecnologia como aliada da inclusão financeira, especialmente em comunidades onde o acesso a bancos convencionais ainda é limitado.

Para Gelvane Santiago, diretor executivo do Cogefur (Conselho Gestor de Fundos Rotativos), o encontro é um momento importante de articulação entre as iniciativas. “Os bancos comunitários mostram, na prática, que é possível construir alternativas econômicas a partir das próprias comunidades. Esse encontro fortalece a nossa capacidade de articulação e reafirma que o crédito pode ser um instrumento de transformação social quando está conectado à realidade dos territórios”, afirmou.

Ao longo dos quatro dias, os debates abordam o Sistema Nacional de Finanças Solidárias, reunindo nomes históricos do movimento, como Joaquim Melo, além de gestores de fundos solidários e formuladores de políticas públicas. A presença de representantes de estados como Alagoas, Bahia, Ceará, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo reforça o caráter nacional da rede e amplia o alcance das discussões.

Outro eixo importante da programação é a relação entre bancos comunitários e desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas. A pauta inclui a transição energética em bases justas e o papel das tecnologias sociais na reorganização produtiva de territórios periféricos. Experiências com energias renováveis, uso de moedas sociais vinculadas a práticas ambientais e estratégias de financiamento local estão entre os temas debatidos.

Diretamente de Piaçabuçu, em Alagoas, o presidente do Banco Comunitário ÉDG, Pedro Vinicius, destacou a importância desse diálogo ampliado. “Quando a gente compartilha experiências, percebe que os desafios são parecidos, mas as soluções podem ser construídas coletivamente. Os bancos comunitários têm um papel fundamental não só na geração de renda, mas também na construção de alternativas sustentáveis para o futuro”, disse.

Parte da programação foi aberta ao público e transmitida ao vivo pelo canal do Instituto Palmas no YouTube, ampliando o alcance das discussões e permitindo que mais pessoas acompanhassem os debates à distância.


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