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Guaraná no Amazonas: cooperativas buscam recuperação após seca de 2024

Após enfrentarem uma das secas mais severas das últimas décadas, os produtores de guaraná na região do Baixo e Médio Amazonas voltam seus olhos para o céu com renovada esperança. A estiagem extrema de 2024 devastou plantações, reduziu drasticamente a produtividade e acendeu alertas sobre os efeitos das mudanças climáticas na cultura símbolo do interior do Amazonas. Agora, com o retorno das chuvas e o início da florada, cresce a expectativa por uma safra mais promissora em 2025.

A recuperação, no entanto, não será imediata. As perdas de 2024 ultrapassaram 60% em algumas áreas, segundo dados preliminares das cooperativas locais. Muitos agricultores enfrentaram dificuldades para manter as plantas vivas, recorrendo a técnicas de irrigação improvisadas e até reduzindo o número de pés cultivados. “Foi um período de muita angústia. A terra rachou, os frutos caíram verdes e não havia como salvar tudo”, relembra Eliana Medeiro, presidente da Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru (Coomapem).

Apesar disso, os primeiros sinais da recuperação começam a aparecer. Com o solo novamente úmido e as plantas reagindo ao novo ciclo hídrico, o clima entre os produtores é de otimismo cauteloso. “O guaraná é uma planta resiliente, e os agricultores também. Agora estamos concentrando esforços no manejo adequado para estimular a produção. A safra 2025 pode não ser recorde, mas já promete ser melhor do que a última”, afirma Eliana Medeiro.

Na região de Urucará e São Sebastião do Uatumã, onde atua a Cooperativa Agrofrutífera dos Produtores de Urucará (Agrofrut), o sentimento é semelhante. O presidente da cooperativa, Antônio Carlos, destaca a importância da união entre os produtores e do apoio técnico para enfrentar o novo ciclo. “Temos que aprender com o que passamos. A estiagem mostrou que precisamos de planejamento, irrigação estruturada e assistência técnica. Estamos trabalhando nisso. Se o clima ajudar, teremos uma safra significativa”, declarou.

Mesmo com os desafios, iniciativas de apoio começam a ganhar força. Parcerias com instituições de pesquisa, como a Embrapa, têm ampliado o acesso a tecnologias mais adequadas para o cultivo em períodos de estiagem. As cooperativas, por sua vez, investem em programas de capacitação, assistência técnica especializada e melhorias logísticas, buscando dar suporte direto aos produtores mais afetados.

Para muitos agricultores, porém, o principal fator ainda é o clima. “A chuva voltou, mas ainda é cedo para dizer que tudo se normalizou. Vamos acompanhar os próximos meses com atenção, porque qualquer instabilidade pode afetar de novo a produção. O que queremos é segurança para trabalhar com dignidade”, resume Antônio Carlos.

A cultura do guaraná, além do valor econômico, tem importância social e cultural para o Amazonas. A cadeia produtiva envolve mais de 5 mil famílias na região, movimentando cooperativas, agroindústrias e exportações. Com o avanço da colheita previsto para novembro, as estimativas apontam para uma recuperação de até 40% em relação à produção do ano passado.

Em um cenário marcado por incertezas climáticas, a resiliência dos produtores de guaraná desponta como um exemplo de resistência e adaptação. A safra de 2025 será, para muitos, não apenas um novo ciclo agrícola, mas um símbolo de superação.


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