Foto de Cooperlad/Reprodução
Bahia
Exclusivo: Cristóvão Roma, presidente da Cooperlad
Cristóvão Roma, presidente da Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar de Lagoa de Dentro e Região (Cooperlad), sediada em Tucano, Bahia, é agricultor, engenheiro agrônomo e defensor incansável da economia solidária. Cristóvão é uma das principais vozes do cooperativismo no sertão baiano.
Desde a fundação da Cooperlad, em 2012, ele tem desempenhado um papel fundamental na organização dos produtores, especialmente em comunidades rurais do semiárido. Sob sua liderança, a cooperativa evoluiu de um grupo informal de produção caseira para uma agroindústria estruturada, com unidade de beneficiamento de frutas, logística própria e inserção em programas governamentais, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).
Cristóvão acredita no cooperativismo como estratégia de resistência e desenvolvimento, sendo um incentivador ativo da educação cooperativista, da gestão participativa e da comunicação como ferramenta de transformação. Ele também atua em articulações regionais, com destaque para parcerias com a CAR, a SDR, o Sistema OCB Bahia, a Unicafes e outras organizações de apoio à agricultura familiar.
Sua atuação é marcada por uma liderança empática, forte vínculo com o território e uma visão clara: promover o desenvolvimento rural por meio da cooperação, do fortalecimento da produção local e na defesa dos direitos dos agricultores familiares.
A seguir, confira a entrevista exclusiva com Cristóvão Roma, que compartilha a trajetória da Cooperlad, destacando os desafios enfrentados, as conquistas alcançadas e as estratégias para fortalecer a agricultura familiar no semiárido. Ele também aborda temas como gestão cooperativista, sucessão rural, políticas públicas e inovação no campo.
Cristóvão, como nasceu a Cooperlad e qual foi o principal desafio na sua fundação?
A Cooperlad nasceu com o objetivo de incentivar e melhorar a qualidade de vida dos agricultores, promovendo a geração de renda para as famílias envolvidas na cooperativa. Desde o início, buscamos também organizar os processos produtivos e comerciais.
Ao longo dos anos, quais conquistas marcaram sua trajetória como presidente da cooperativa?
A criação da nossa primeira unidade de beneficiamento artesanal de doces, com recursos próprios e apoio de pequenos projetos de entidades como a Igreja Católica, a Fundação Banco do Brasil e o Prêmio Natura, foi um marco importante. No entanto, considero minha maior conquista a implementação, em 2021, de um novo modelo de gestão voltado aos cooperados e cooperadas. Esse modelo atendeu todos os segmentos da cooperativa, com foco nos princípios cooperativistas, oferecendo mais segurança nos processos internos e impulsionando o crescimento significativo da Cooperlad. Seguimos firmes na construção de um mundo mais justo e igualitário.
A Cooperlad é conhecida por agregar valor à produção local. Como vocês transformaram uma produção artesanal em uma agroindústria estruturada?
Tudo começou como um sonho, que se tornou realidade. Inicialmente, queríamos apenas gerar renda para a comunidade. Hoje, atuamos em quatro territórios de identidade da Bahia. A construção da agroindústria permitiu ampliar nossa capacidade de produção, melhorar o escoamento da produção agrícola, reduzir perdas e profissionalizar o processo produtivo com o uso de equipamentos tecnológicos. Apesar disso, mantemos nossa história e o cuidado com a qualidade para oferecer aos clientes um produto diferenciado.
Quais foram os impactos mais visíveis da cooperativa na vida dos cooperados e das comunidades atendidas?
Os impactos mais notáveis foram o escoamento regular da produção, a abertura e ampliação de novos mercados, a padronização dos produtos e, principalmente, a geração de renda para as famílias. Isso contribuiu significativamente para reduzir o êxodo rural em nossa região.
A Cooperlad é uma das patrocinadoras do Prêmio Coopere Mais. Qual a importância da comunicação no cooperativismo, na sua visão?
A comunicação é primordial para o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro. Acreditamos que ela aproxima as pessoas e o mundo, facilita o entendimento mútuo e fortalece os vínculos de confiança. É por meio da comunicação que construímos relacionamentos sólidos e ampliamos o alcance das nossas ações.
Como a cooperativa tem se adaptado às novas demandas de mercado, como inovação, sustentabilidade e comercialização em escala?
Temos nos adaptado de forma significativa, buscando constantemente a melhoria dos nossos processos com foco em eficiência, inovação e sustentabilidade. A Cooperlad investe em tecnologias apropriadas, capacitação de pessoas e parcerias estratégicas que nos permitam crescer de forma equilibrada e responsável.
O que significa, para você, fazer cooperativismo no semiárido?
Para mim, fazer cooperativismo no semiárido é unir forças, saberes e culturas locais em torno de um projeto comum. É fortalecer a agricultura familiar, preservar o bioma da caatinga e potencializar os impactos sociais e econômicos nas comunidades.
Quais são as estratégias da Cooperlad para envolver os jovens e manter a sucessão no campo?
A Cooperlad adota uma abordagem educativa e prática para garantir a presença ativa dos jovens no campo. Uma das principais estratégias é a inserção de conceitos como cooperativismo, agricultura sustentável e educação financeira no currículo das escolas locais, fortalecendo desde cedo a consciência sobre o papel da agricultura familiar e do trabalho coletivo.
Além disso, a cooperativa atua diretamente em escolas municipais e estaduais por meio do PNAE, fornecendo polpas nutritivas produzidas pelos próprios cooperados. Essa presença constante nas escolas serve como um canal natural de sensibilização, mostrando aos jovens que é possível viver da terra com dignidade, inovação e protagonismo. Assim, promovemos a valorização do campo e incentivamos a continuidade das novas gerações na agricultura.
Como tem sido o relacionamento da Cooperlad com políticas públicas e programas de apoio à agricultura familiar?
Nosso relacionamento com as políticas públicas é multifacetado, buscando fortalecer a sustentabilidade econômica, social e ambiental dos agricultores familiares. A Cooperlad atua como elo entre os produtores e o poder público, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento da agricultura familiar. Também participamos ativamente de conselhos municipais, espaços fundamentais para discutir e construir políticas públicas voltadas ao campo.
Para encerrar: qual mensagem você deixaria para outras cooperativas que estão começando e enfrentando dificuldades?
Para quem está começando, eu diria:
“Nos momentos desafiadores, lembrem-se sempre do poder da união. A cooperativa é mais do que um modelo de negócio — é uma forma de fortalecer pessoas e comunidades. Acreditem na força da colaboração, no valor da confiança mútua e na capacidade de transformar adversidades em oportunidades. As dificuldades fazem parte do processo, mas com perseverança, planejamento estratégico e apoio mútuo, é possível superar qualquer obstáculo. Continuem aprendendo, se adaptando e, acima de tudo, não percam de vista o propósito que une todos os envolvidos. O caminho pode ser árduo, mas a recompensa de construir algo coletivo, sustentável e justo é incomparável.”
É essa mentalidade de união e resiliência que garante o crescimento e a prosperidade de uma cooperativa ao longo do tempo.
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